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Quantas São e Como Classificar

Enquanto as demais famílias botânicas dificilmente compreendem mais de 100 espécies, as espécies de orquídeas somam cerca de 35.000

A Família das orquídeas é, sem dúvida uma das mais importantes do reino vegetal. Com exceção das regiões geladas da Antártica e de alguns desertos extremamente áridos, representantes de família estão presentes em todo o mundo. Vem daí a possibilidade de dividi-las em quatro grupos, a depender do local onde vivem:

Epífitas - são aquelas que se desenvolvem sobre as árvores, mas usando-as apenas como suporte. Ou seja, como local onde possam receber níveis adequados de luz. E aqui vale uma reflexão. Se fossem plantas parasitas, como muita gente acredita, orquídeas não poderiam ser cultivadas em pedaços de cascos de árvores, ripas de madeira ou, muito menos, em vasos preparados apenas com pedaços de xaxim. Afinal estes são materias inertes, de onde elas nao conseguiriam tirar nenhum alimento.

Terrestres - crescem sobre o solo, ao qual fixam suas carnosas raízes e buscam seus nutrientes normalmente.

Rupícolas - vivem sobre as pedras, a pleno sol. Muitas vezes protegem a ponta das raízes mergulhando-as por baixo do limo que nasce nas fendas das rochas. Mas não é raro ver orquídeas deste tipo vivendo sobre rochas super quentes, e notar que o calor e a insolação não provocam maiores danos ás raízes.

Saprófilas - muito raras, são desprovidas de clorofila e alimentam-se de restos de vegetais ou animais em decomposição. Em quase todos os 50 anos que mexo com orquídeas, conheci apenas umas que pode ser considerada genuinamente saprófita. E mesmo assim só a descobri por meio da literatura. Trata-se da curiosa Rhizanthella garneri, coletada pela primeira vez em 1928 na Austrália, e que às vezes floresce dentro do solo.


Como a família é muito rica, foi preciso dividi-la e subdividi-la para facilitar a identiticação

Esta família botânica é mesmo extraordinária. Na verdade, seus representantes compõem nada menos que 7% de todas as plantas do Planeta. A variedade é tanta, que as 35 mil espécies naturais conhecidas precisaram ser distribuidas
em 2 subfamílias, 2 subséries, 85 subtribos e mais de 2500 gêneros. Dessa forma:

As duas famílias são Diandrae e Monandrae.

Diandrae - as flores dessa subfamília caracterizam-se por possuir duas antenas férteis. Congregam orquídeas sem caule e com flores cujos labelos têm a forma de "sapatinhos". O gênero Paphiopedilum é, talvez, o mais conhecido dessa subfamília, que se subdivide em duas tribos; Cipripediloiedeae e Apostasioideae.
Monandrae - esta outra subfamília é muito mais extensa e compreende todas as demais orquídeas. Tantas que se desdobram em divisões, tribos, subtribos, séries, subséries e seções.

A divisão das Basitonae reúne as espécies com a antena persistenta e coluna curta formando a tribo Ophrydoldae e oito subtribos de plantas terrestres, com raízes tuberosas, que perdem as folhas na época de repouso de inverno.

Já as orquídeas da divisão Acrotonae têm como característica principal a antena caduca (as polinias, ao serem removidas desprendem também a capsula na qual esta alojada a antena). E é exatamente em função da consistência das polinias, que esta divisão é reagrupada em duas tribos Polychondreae e de Kerosphaereae.

As orquídeas da tribo das Polychondreae são na maioria plantas terrestres, que têm polinias de consistência granulosa, facilmente divisíveis. Como a tribo incorpora poucas espécies ornamentais, foi muito pouco usada em hibridações. Mesmo assim, é subdividida em 23 subtribos.

Já as da tribo Kerosphaereae têm duas polinias de consistência cartilaginosa ou cerosa, sem granulação. Essa tribo congrega quase a totalidade das orquideas cultivadas para fins ornamentais. Divide-se em duas séries:

A série das Acranthae reúne plantas com inflorescências terminais no ápice do pseudobulbo. Divide-se em quinze subtribos, onde estão agrupados gêneros importantes e bastante populares, como Laelia, Cattleya, Coelogyne, Dendrobium e Polystachia.

A outra série, a das Pleuranthae, caracteriza-se por apresentar inflorescências laterias. Compreende duas subséries; Sympodiales e Monopodiales.

A subsérie das Sympodiales congraga orquídeas com crescimento apical limitado. Ou seja, onde termina um caula ou pseudobulbo, o novo broto passa a vegetar e cresce em duas direções. Horizontalmente, formando os rizomas, e depois na vertical, formando os pseudobulbos. Esta subsérie se divide em 23 subtribos, nas quais destacam-se os gêneros Catasetum, Cymbidium, Gongora, Huntleya, Maxillaria, Oncidium e Zygopetalum

Finalmente, temos a subsérie das Monopodiales, que têm crescimento apical ilimitado. Em outras palavras, nessas orquídeas os brotos novos desenvolvem-se no ápice do broto anterior, havendo assim um crescimento continuo. Nesta subsérie estão enquadrados os gêneros Angraecum, Aerides e Vanda.
Artigo retirado da revista: Edição Especial da Revista Natureza "Orquídeas"
 
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